INOVAÇÃO NO DIAGNÓSTICO VETERINÁRIO

INNOVATION

CORAINI, S.

9/25/20265 min ler

POCT, Biossensores e Inteligência Artificial, as atualizações tecnológicas na Medicina Veterinária que podem agilizar o diagnóstico de doenças.

Estudiosos e pesquisadores como: Fonseca et al., 2025; Lima et al., 2025 e Alshammari et al., 2025; nos trazem novidades quanto ao modo de diagnosticar os animais de companhia.

Inovação no diagnóstico veterinário: POCT, biossensores e inteligência artificial

Como novas tecnologias podem agilizar o diagnóstico de doenças em animais — e quais são os desafios para que elas cheguem de forma acessível à rotina das clínicas veterinárias.

A medicina veterinária está passando por uma transformação silenciosa, mas bastante interessante. Tecnologias que há alguns anos pareciam distantes da nossa realidade começam a ocupar espaço nas discussões sobre diagnóstico e acompanhamento dos animais de companhia. Entre elas estão o POCT (Point-of-Care Testing), os biossensores e a inteligência artificial (IA).

Pesquisadores como Fonseca et al. (2025), Lima et al. (2025) e Alshammari et al. (2025), têm discutido justamente essas novas possibilidades e os desafios para sua utilização na medicina veterinária, mas, antes de enxergarmos essas tecnologias como uma espécie de “solução do futuro”, acredito que vale a pena olhar para elas com entusiasmo e, ao mesmo tempo, com os pés no chão.

Vamos à uma breve análise:

POCT = (Point-of-Care Testing), Testes no local de atendimento.

POCT significa, de maneira simplificada, testes realizados no próprio local onde o paciente está sendo atendido.

Na prática veterinária, isso pode significar que determinados exames sejam realizados dentro da própria clínica, sem a necessidade de encaminhar a amostra para um laboratório externo e aguardar o retorno dos resultados, ou mesmo pedir que o paciente realize o exame em outro local, após a consulta.

Dependendo do equipamento e do teste disponível, podemos encontrar aplicações para exames relacionados a doenças infecciosas, bioquímica, eletrólitos, coagulação, marcadores de inflamação, entre outros.

Imagine, por exemplo, um animal chegando à clínica em uma situação que exige uma decisão rápida e ter determinadas informações laboratoriais disponíveis em pouco tempo pode ajudar o médico-veterinário a tomar decisões com mais agilidade. É uma possibilidade bastante interessante, mas existe uma pergunta que não podemos ignorar: quanto custa colocar essa tecnologia dentro de uma clínica veterinária?

Em uma breve pesquisa que realizei, encontrei equipamentos de POCT veterinário com de entrada que podem ultrapassar R$ 12 mil, dependendo do aparelho e de suas características, sem considerar custos adicionais, como transporte, instalação, reagentes, manutenção e outros insumos.

À primeira vista, podemos pensar: “Para uma clínica veterinária, esse valor não parece tão alto diante dos benefícios que o equipamento pode oferecer.” – E talvez realmente não seja, dependendo da estrutura e da demanda daquela clínica, é importante lembrar que uma clínica veterinária não paga apenas pelo equipamento, existem aluguel, funcionários, impostos, energia elétrica, medicamentos, materiais descartáveis, manutenção, limpeza, equipamentos, treinamento, sistemas de gestão e tantos outros custos que nem sempre aparecem para quem está do outro lado do balcão.

Além de quê, aqui entra uma questão que considero particularmente importante: Precisamos pensar também na clínica do nosso bairro. Já vi clínicas fecharem as portas por não conseguirem conciliar a qualidade do atendimento com preços que fossem acessíveis aos tutores; também já presenciei situações em que foram cobrados valores por serviços que, na minha percepção, não pareciam compatíveis com aquilo que havia sido efetivamente realizado. Por isso, quando falamos em inovação, não podemos pensar apenas em “comprar a máquina”, precisamos pensar em como essa tecnologia será incorporada ao atendimento e em quanto desse investimento chegará, de fato, como benefício ao paciente e ao tutor.

E os BIOSSENSORES? – Os biossensores seguem uma lógica ainda mais interessante:

De forma simplificada, podemos imaginá-los como dispositivos capazes de identificar determinadas substâncias ou sinais biológicos relacionados ao funcionamento do organismo.

A ideia é bastante promissora: dispositivos cada vez menores e mais rápidos poderiam, no futuro, permitir um acompanhamento mais próximo e individualizado dos pacientes.

Mas existe uma diferença importante entre uma tecnologia promissora e uma tecnologia clinicamente comprovada para uso amplo.

Nem todo sensor que consegue detectar determinado biomarcador em condições experimentais, necessariamente está pronto para substituir um exame laboratorial convencional. É preciso avaliar sua precisão, sensibilidade, especificidade, repetibilidade e desempenho em diferentes animais e situações clínicas, e essa validação ainda está em desenvolvimento para muitas dessas tecnologias.

E onde entra a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

A inteligência artificial já vem sendo estudada para auxiliar na interpretação de exames de imagem, como radiografias, além de outras aplicações diagnósticas.

Um exemplo é a utilização de IA para auxiliar na identificação de edema pulmonar cardiogênico em radiografias de cães.

Isso, porém, precisa ser interpretado com cuidado, pois dizer que uma determinada ferramenta de IA apresentou bom desempenho em uma tarefa específica é muito diferente de dizer que a inteligência artificial é melhor que o médico-veterinário.

A tecnologia pode ajudar a encontrar padrões, sinalizar alterações e agilizar determinadas análises, mas o diagnóstico veterinário envolve muito mais do que uma imagem, envolve histórico, exame físico, sinais clínicos, espécie, idade, raça, contexto e, muitas vezes, a combinação de vários exames.

A tecnologia pode fornecer uma informação, quem precisa interpretar essa informação dentro do contexto do paciente continua sendo o profissional. Afinal, devemos investir ou não? Eis o dilema: gastar ou não gastar? – Não existe uma resposta simples.

Para uma clínica com grande demanda, determinado equipamento pode representar um investimento interessante, para outra, o custo pode não ser justificável.

Não podemos olhar apenas para o preço de aquisição, é preciso considerar manutenção, reagentes, treinamento, calibração, atualização dos equipamentos e, principalmente, a qualidade dos resultados produzidos.

E existe outra pergunta que a ser respondida: o equipamento realmente melhora a tomada de decisão clínica? Porque um exame ser rápido não significa necessariamente que ele seja mais preciso, da mesma forma, um resultado tecnológico sofisticado não significa automaticamente um diagnóstico melhor. A tecnologia precisa ser acompanhada de evidência!

É muito fácil nos encantarmos com uma nova tecnologia, uma máquina que fornece um resultado em minutos, um sensor capaz de detectar uma molécula, uma inteligência artificial que analisa centenas de imagens...; tudo isso é fascinante, mas, antes de colocar essas ferramentas no centro da prática clínica, precisamos perguntar: Funciona? Para quais doenças? Em quais espécies? Com qual nível de precisão? Foi comparado com o método tradicional? Foi validado em diferentes clínicas e populações? O resultado realmente melhora o atendimento e o desfecho do animal? – Essas perguntas são tão importantes quanto a própria inovação.

O futuro parece promissor — mas ainda está sendo construído!

POCT, biossensores e inteligência artificial certamente têm potencial para transformar a medicina veterinária. Fazem com que possamos imaginar um futuro em que determinadas alterações sejam identificadas mais rapidamente, exames sejam realizados cada vez mais próximos do paciente e ferramentas computacionais auxiliem o veterinário na interpretação de grandes quantidades de informação, mas ainda estamos construindo esse futuro.

Por isso, talvez a melhor maneira de enxergar essa transformação não seja perguntar se a tecnologia vai substituir os métodos tradicionais ou o médico-veterinário. Talvez a pergunta mais interessante seja: “Como podemos utilizar a tecnologia para tornar o atendimento veterinário mais rápido, preciso, acessível e seguro, sem perder de vista aquilo que realmente importa: o paciente?”.

A inovação é bem-vinda, mas, na medicina, inovar não significa apenas criar uma tecnologia nova, significa demonstrar que ela realmente faz diferença para quem precisa dela.

E, no fim das contas, quem mais precisa se beneficiar dessa evolução não é a máquina, nem o veterinário, É O ANIMAL.

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S.S. CORAINI'S PET © 2015

“Não te envergonhes se, às vezes, os animais estão mais próximos de ti do que as pessoas. Eles também são teus irmãos.”

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